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URBANO Como trocar o carro pela bike
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Dicas para deixar o carro em casa e curtir os caminhos da cidade.

Trocar o carro pela bike já não é uma ideia nova. Mas a pandemia do novo coronavírus está fazendo com que ainda mais pessoas considerem trocar o carro e o transporte público pela bicicleta como meio de locomoção diário.

Mas para quem não está acostumado ao pedal, a transição pode ser difícil. Por isso, conversamos com Elisa Dias e Daniela Rodrigues, membros da diretoria da ONG BikeAnjo, para ouvir algumas dicas e conselhos preciosos para quem está querendo deixar o carro e o bilhete único em casa. Confira o que eles disseram!

O O QUE É O BIKEANJO?

Escola Bike Anjo (EBA) em ação (Foto: Reprodução Facebook BikeAnjo)

DANIELA: O Bike Anjo é uma rede de ciclistas que têm paixão pela bicicleta e que mobilizam e ajudam as pessoas a usarem esse meio de transporte para se locomoverem pela cidade, porque para nós a bicicleta é uma ferramenta de transformação social, e quanto mais pessoas envolvidas com essa causa, mais humana serão as cidades.

ELISA: O BikeAnjo é um guarda-chuva amplo de ações, que inclui também projetos de inclusão, por exemplo pedalando com cegos em bicicletas adaptadas.

QUAIS SÃO AS DICAS MAIS IMPORTANTES PARA QUEM ESTÁ COMEÇANDO A PEDALAR?

DANIELA: Para quem está aprendendo a pedalar, as principais dicas é ter atenção à altura do selim, ao pedalar sempre olhar para frente e não para baixo, porque perde o equilíbrio, manter a coluna reta, lembrar de respirar (tem gente que prende a respiração durante as tentativas).

Se fora da pandemia, o ideal é procurar ruas ou praças sem movimentação de carros e com um bom espaço para praticar andar em linha reta e fazer curvas, se ainda durante o período de isolamento social, a recomendação vale apenas para quem tiver espaço como uma garagem, quintal ou sala sem móveis (risos).


ELISA: Não ficar ansioso, não se afobar, procurar infos para não ter medo (quem começa geralmente tem medo). Nas Escolas Bike Anjo (EBAs), espalhadas por todo o Brasil, falamos pras pessoas sobre a bike, o selim, os freios, com subir em segurança, processos básicos que muita gente desconhece.

E PARA QUEM ESTÁ COMEÇANDO A PEDALAR NA RUA?

Pedalar devagar é uma estratégia para suar menos

ELISA: Tem que estar sempre visível, neon, colete, mochila, capacete. Luzes traseiras vermelhas piscantes, que são obrigatórias. Mas também recomendo luzinha branca na frente, aumenta a segurança. Pedalar no meio da faixa, ocupar a faixa. O carro tem que entender que não pode entrar na sua faixa. A bicicleta tem o direito de ocupar a faixa. Fazer sinais com as mãos e os braços., antes de virar ou parar. Comunicação com os outros usuários das ruas. Quem quiser pode ate instalar um retrovisor para facilitar. Treinar a rota no fim de semana ou em horários de menos pico para não ser pega por nenhum elemento surpresa.

Já vi muita gente pedalando sem muito treinamento: andando no cantinho em avenidas movimentadas ou na contramão. O melhor é seguir o fluxo, parar no farol vermelho e respeitar as demais leis de trânsito. Isso pela sua segurança e também para zelar para que o trânsito flua.

TEM DICAS PARA QUEM JÁ PEDALA?

DANIELA: Respeitar as leis de trânsito e se fazer visível ao pedalar no trânsito. Não se espremer nos meios fios, evitar pedalar em calçadas sempre que possível, não pedalar no asfalto na contramão, sinalizar as intenções no trânsito (curvar pra direita ou esquerda, parar, direcionar com a mão a rua que vai seguir etc). Se tiver que pedalar durante a pandemia levar sempre que possível consigo álcool em gel, usar máscara.

ELISA: Pra quem já pedala: tomar cuidado com muita autoconfiança, pensar “já conheço a rota”, “já estou à vontade na rua”. Às vezes ficamos muito “ousados” e esquecemos que somos muito frágeis na bicicleta frente aos carros e demais veículos motorizados.

O QUE FALTA PARA MAIS PESSOAS TROCAREM O CARRO PELA BIKE?

DANIELA: Falta os municípios pararem de dar prioridade para os modais motorizados e individuais (carros, motos), as estruturas são pensadas para o uso do carro, é necessário políticas que garantam o direito de escolha de qual modal de transporte melhor convém para a pessoa, para o uso da bicicleta.

Mais especificamente, podemos dizer sim que falta cicloestruturas, falta qualidade nas que já existem, falta interconexão delas e também delas com as estruturas da cidade, falta educação no trânsito e disseminação das informações legais, como o direito da bicicleta transitar pela pista de rolamento e a obrigatoriedade dos carros manterem 1,5 de distância, no mínimo, além de a prioridade ser sempre da ciclista, em relação aos carros.

Vemos também a importância de conversar sobre estruturas para ciclistas se arrumarem nas empresas, instituições de ensino, etc. Isso incentiva o uso da bicicleta.

ELISA: Segurança em cima da bicicleta, principalmente para as mulheres. Segurança no trânsito e garantia dos direitos dos ciclistas.

A implementação de ciclovias também seria excelente, mas têm que ser ciclovias de qualidade, pensada para os ciclistas. Não adianta fazer de qualquer jeito. Falta uma política pública impactante sobre o trânsito e a presença das bicicletas nele, como uma alternativa diária viável de meio de transporte.

QUAIS SÃO AS MAIORES VANTAGENS DE TROCAR O CARRO PELA BIKE?

DANIELA: Bicicleta não polui, auxilia na saúde física e mental, muitas vezes diminui o tempo que usa no deslocamento, permite uma nova relação da pessoa com a cidade, porque com a bicicleta ela tem a oportunidade de sentir a cidade, observar os caminhos com mais cuidado, as plantas e a falta delas, se sente integrante da cidade e responsável pelo cuidado da mesma.

ELISA: Saúde, auto confiança, não paga imposto (só a compra e a manutenção, muito mais com conta do que um carro), limpeza mais fácil. Autonomia total para escolher horários de saída e chegada nos lugares, sem ficar no trânsito nem depender do transporte público.

COMO TROCAR O CARRO PELA BIKE DE MODO SUAVE?

DANIELA: Usar a bicicleta inicialmente duas vezes por semana, escolher caminhos com menos movimento, mesmo que pedalando mais. Ir aumentando o uso gradativamente, ir se acostumando e observando o que é melhor para a pessoa, as roupas a serem usadas e carregadas na bolsa, os acessórios de que necessita e ir conhecendo as possibilidades de caminho.

E POSSÍVEL CONCILIAR O USO DA BIKE COM OUTROS MEIO DE TRANSPORTE?

DANIELA: Sim, e as políticas públicas são essenciais para essa possibilidade, há cidades que existem metrôs e trens e aí é necessário discutir a possibilidade de neles carregar a bicicleta, no próprio ônibus há exemplos de cargueiras no para-choque e também de ônibus específicos para ciclistas, onde existem estruturas para acomodar a bicicleta em seu interior; ter bicicletários em estações de transportes coletivos para a troca de modais durante um único percurso também é muito efetivo. Ter uma conexão entre os modais da cidade é fundamental para propiciar à sociedade uma mobilidade ativa.

ELISA: Modelos dobráveis entram em todo lugar dobradas, são ótimas para conciliar com carro ou transporte público (bikes padrão costumam ser autorizadas no metrô apenas em finais de semana ou horários de baixo fluxo).

EXISTEM DESVANTAGENS AO TROCAR O CARRO PELA BIKE?

DANIELA: Não? (risos). Talvez algumas pessoas pensem que pedalar sob o sol é um ponto negativo, que suar é ponto negativo.

ELISA: Carro é mais confortável, tem ar condicionado, quem faz o esforço é o motor. Pedalando, ao chegar no outro lugar tem que dar uma arrumada, trocar de roupas, às vezes ate tomar um banho. Você chega todo suado, pode ser um incômodo para algumas pessoas.

Pra mim, que tenho cabelo cacheado, também tem o chamado “cabelo de capacete” pra incomodar (eu uso, apesar de não ser obrigatório). Mas aí, qualquer coisa, pega um Uber e vai pra festa, né! Fora isso, não consigo ver nenhuma desvantagem. Sai muito mais barato, é melhor para a saúde e para o planeta. Bicicleta é tudo de bom.

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