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ESTRADA/TRIATHLON Ciclismo de longas distâncias com Ricardo Arap
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Pedalar grandes distâncias é um desafio que muita gente deseja alcançar um dia. Percursos bonitos, grandiosos e desafiadores atraem muitos ciclistas, que buscam superar seus próprios limites enquanto desbravam caminhos desconhecidos.

Para saber mais sobre os aspectos da preparação para passar horas e até dias pedalando, conversamos com Ricardo Arap, um dos expoentes nacionais da modalidade, que já participou diversas vezes da tradicional Race Across America e comanda a Race Consultoria Esportiva.

OUÇA O PODCATS BIKEHUB SOBRE CICLISMO EXTREMO com Ricardo Arap.

Confira a conversa abaixo!

PREPARAÇÃO PARA O CICLISMO DE LONGAS DISTÂNCIAS

O ciclista Ricardo Arap.

QUAL O BARATO DE PEDALAR GRANDES DISTÂNCIAS?

RICARDO ARAP: O grande barato das longas distancias é conseguir ficar um tempo maior fazendo uma coisa que você gosta muito – no nosso caso, pedalando.

Outro ponto é ter aquela sensação de grandeza, de força interior, de força física e mental, de sair de um ponto e chegar a outro, cada vez mais distantes entre eles. Sentir fisiologicamente a sensação de bem-estar, que o corpo traz através dos hormônios de satisfação, como a endorfina, mas de maneira multiplicada.

Também ampliamos a sensação dos sentidos. Sentimos o cheiro do mato, do asfalto, temos a visão das coisas passando, ouvimos o vento, os barulhos da natureza, os pássaros, os bichos.

COMO É A PREPARAÇÃO PARA PEDALAR GRANDES DISTÂNCIAS?

É uma preparação matemática. Claro que aquilo que para alguns é distância longa, para outros não é. Mas para chegar numa distancia realmente longa e grandiosa, tem que começar pela matemática.

Se você está acostumado a pedalar por 30 minutos, aumente para 45, depois para uma hora, duas, três, quatro, cinco. Só depois disso as referências passam a ser em quilometragem. Primeiro domamos o tempo. Quando o ciclista perceber que consegue pedalar bastante tempo, aí então passa a focar em quilometragem cumprida, em performance, em melhorar media horaria.

As distancias e desafios vão aumentando conforme quebramos barreiras. Primeiro é preciso quebrar as barreiras mentais, para só depois quebrar as barreiras físicas.

Um ciclista se prepara para largar na RAAM 2018 – “A prova ciclística mais dura do mundo”.

QUANTO TEMPO LEVA A PREPARAÇÃO?

É relativo. Como qualquer coisa que fazemos na vida, precisamos ver quanto temos de facilidade/dificuldade, e quanto tempo disponível temos para trabalhar isso. A pior relação, claro, é ter uma dificuldade natural com tempo escasso para treinar.

COMO SABER SE ESTAMOS PREPARADOS?

Também é relativo ao tamanho do desafio. Uma prova pode ser desafiadora em 50 km, em 100 km, em 200, em 400, 600, 1200, até 5 mil, como na RAAM. Assim como tudo na vida, vamos ampliando nossos objetivos gradualmente. Para uma prova de endurance, o ideal é treinar até conseguir cumprir pelo menos 2/3 do desafio.

Ricardo Arap durante a RAAM 2018.

O QUE É NECESSÁRIO LEVAR CONSIGO NA BIKE, E O QUE É “PESO MORTO”?

Isso também é uma coisa relativa, conforme a necessidade física e até psicológica da pessoa. Se você vai fazer uma prova de 24 horas, vai enfrentar um dia e uma noite, provavelmente calor e frio. Dependendo do local, encontramos altimetrias distintas e temperaturas muito diferentes durante o dia e a noite, pode fazer 40 graus de dia e menos 2 à noite, e é preciso estar preparado.

Se tiver carro de apoio, não precisa levar nada consigo na bicicleta a não ser luzes traseiras e dianteiras que funcionem. O ideal é não levar nada na bike, tirar tudo, até as caramanholas, o melhor é deixar apenas uma com você e o resto no carro.

Se for esquema autossuficiente, tem que considerar todas as possibilidades: sol, chuva, frio, protetor solar, alimentação, mecânica.

Ricardo Arap, especialista em ciclismo de longas distâncias
Ricardo Arap durante participação na RAAM.

O QUE É PRECISO SABER DE MECÂNICA NO CICLISMO DE LONGAS DISTÂNCIAS?

Tem que saber o básico e em alguns casos, coisas mais especificas.

O que eu chamo de básico é saber trocar pneu, consertar câmara, encher o pneu (tem gente que usa cartuchos e não sabe encher, ou leva bombas inadequadas).  Tem que ter as ferramentas certas. Espátulas resistentes, extras (pois podem quebrar ao trocar), câmaras sobressalentes e remendos, se você usar todas as câmaras, um saca corrente pra resolver problemas de corrente e até um pedaço de corrente se precisar complementar.

Eu não saio com menos de três câmaras e o kit remendo. Se forem distâncias mais longas, levo cinco câmaras sobressalentes, além do kit. Parece muito, mas furar três pneus em seis ou sete horas é fácil, num dia de azar ou pista suja, vai rapidinho.

QUAIS SÃO AS PROVAS MAIS LEGAIS DE CICLISMO DE LONGAS DISTÂNCIAS?

No Brasil temos principalmente as provas do Audax, e esporadicamente algumas outras, organizadas por pessoas bem-intencionadas e apaixonadas por longas distancias.

Fora do Brasil, além da RAAM, já temos a RAAM Itália, RAAM Áustria e várias outras provas de ultra cycling distance.

Ricardo Arap pedala com carro de apoio na RAAM 2018.

QUAIS CUIDADOS TOMAR AO PEDALAR NA ESTRADA?

Mesmo com carro de apoio, estar muito tempo na estrada significa maior possibilidade de risco. E sem apoio, você está totalmente exposto.

Se tiver que descer mais rápido ou mais devagar, vá mais devagar. Se tiver que pedalar mais ao centro ou mais ao canto da pista, vá pelo canto. Se estiver cansado, pare e descanse. Se tiver sono, pare e durma. Porque o contrario aumenta o risco, é desnecessário.

Use luz dianteira e traseira, acessórios de segurança, como luvas, capacete, óculos de proteção. Proteja-se também da chuva e do frio, com corta-vento, roupas quentes, botinha se for o caso.

É importante se alimentar de maneira adequada. O estômago vazio pode provocar desequilíbrio, hipoglicemia, a parte fisiológica fica ruim. O ciclista pode até apagar, e acabar caindo por conta deste desequilíbrio glicêmico.

A falta de reflexo ocasionada pelo cansaço excessivo também aumenta situações de exposição, podemos ter dificuldades no asfalto, com buracos, bueiros, costelas, obstáculos que te expõem a tombos e podem te tirar da prova e até a própria vida, para ser bem realista. Tem que ser realista para ser cauteloso.

O mais importante é ir e voltar, concluindo seu objetivo, não importa se com o tempo ideal ou não. Muitas vezes aprendemos na dor, e na bicicleta infelizmente também é assim. Não custa nada ser prudente.

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